Contrato com a VaideBet não passou pelo compliance do Corinthians

Contrato com a VaideBet não passou pelo compliance do Corinthians
Agência Corinthians

O Corinthians balançou o mercado publicitário e toda a comunidade do futebol no dia 7 de janeiro ao anunciar a parceria com a Vai de Bet, empresa do ramo de apostas online. O acordo tem validade de 36 meses e prevê um repasse total de R$ 370 milhões ao clube, além dos R$ 20 milhões que a empresa se comprometeu a pagar para sanar a multa rescisória com a PixBet. Tudo isso representa o maior patrocínio da história do futebol brasileiro.

Fora o espanto de alguns dirigentes, a parceria corintiana também levantou suspeitas. Na última terça-feira, por exemplo, Leila Pereira, presidente do Palmeiras e da Crefisa, empresa patrocinadora da equipe alviverde, falou com desconfiança sobre o assunto ao ser questionada em entrevista coletiva.

“Não adianta fechar patrocínio com valores astronômicos e ninguém ver o contrato. Depois (o patrocinador) não paga nada e como faz? Tem que ter responsabilidade para divulgar patrocínio (...) De 15 em 15 dias aparece uma empresa querendo patrocinar o Palmeiras. Qual o nosso critério? Potencial econômico da empresa (...) Não acredito em milagre. Aparecem empresas recém-criadas com capital social ínfimo, como podem oferecer patrocínio milionário com essas características? Não vamos aceitar, queremos empresas com credibilidade para honrar o patrocínio. Quero empresas sérias do lado do Palmeiras. Senão, fica muito bonito, falo que vai ser R$ 400 milhões e não pagam nada”, afirmou Leila.

A Gazeta Esportiva apurou que o contrato do Corinthians com a Vai de Bet não passou pelo sistema de compliance que fora implantado no clube no segundo semestre de 2021.

À época, o projeto foi liderado por Herói Vicente, então diretor jurídico, e Adriano Monteiro Alves, secretário geral e irmão de Duilio Monteiro Alves, mandatário na ocasião.

O sistema, qualificado como Programa de Integridade, foi implantado pela Gelson Ferrareze Sociedade de Advogados e tem à frente, como representante da empresa junto ao Corinthians, o Dr. Nilo Patussi. Desde então, 411 contratos passaram pela análise e avaliação de risco do programa.

Em dezembro de 2023, o contrato entre Corinthians e Ferrareze para manutenção do uso do sistema de compliance foi renovado pelo período de seis meses, portanto, com vencimento datado para 30 de junho de 2024.

A reportagem fez contato com a assessoria de imprensa da atual administração do Corinthians, liderada pelo presidente Augusto Melo, para esclarecer o motivo do contrato da Vai de Bet não ter passado pelo crivo do compliance instalado no clube. A resposta veio em nota à Gazeta: "O contrato passou pelo processo de compliance realizado pelo próprio departamento jurídico do Corinthians".

A assessoria confirmou, em seguida, que o compliance citado refere-se a uma avaliação feita pelos novos membros do departameto jurídico, sem a utilização do sistema de compliance ativo no clube neste momento.

A Gazeta também questionou quais ações o Corinthians pode ter diante a eventualidade dos pagamentos programados não serem realizados como se espera. A resposta veio na mesma nota oficial: "Como ocorre na formulação de qualquer contrato, o Corinthians está respaldado em caso de não cumprimento do acordo".

A Vai de Bet é uma empresa considerada nova no mercado. Ela passou a operar no fim de 2022, com capital inicial declarado de R$ 300 mil e está cadastrada como porte de micro empresa.

A empresa está sediada em Curaçao, mas o investimento tem origem em Campina Grande, na Paraíba. O empresário José André da Rocha Neto é o dono da Vai de Bet. Ele que tem mais de 30 empresas vinculadas ao seu nome e a razão social das empresas soma R$ 19,3 milhões. A Vai de Bet, aliás, faz parte do grupo Betpix N.V, ao lado das marcas Betpix365, Betpix, Obabet e Pix365.

Parte da desconfiança externa sobre do acordo entre Corinthians e Vai de Bet também se dá pelo fato do clube ter tomado um calote da Taunsa, empresa do agronegócio, no fim de 2021. Na ocasião, o departamento jurídico orientou Duilio, por segurança, a realizar a ativação mediante a um pagamento à vista, o que não aconteceu. Mesmo assim, Duilio manteve a ativação, o que vinculou a imagem do clube à empresa, que nunca pagou um centavo ao Timão. Atualmente, o Corinthians tem uma ação na justiça movida contra a Taunsa.

"Primeira coisa, aprovado (contrato com a Vai de Bet) pelo jurídico, pelo nosso compliance, para depois o presidente poder assinar (...) Para provar para vocês a indoneidade, a credibilidade da empresa, foi depositado ontem (6 de janeiro) R$ 20 milhões. E outra, no primeiro dia de cada mês, ela deposita R$ 10 milhões. Pro mês seguinte, a mesma coisa, diferente de uma Taunsa, que fez um contrato, não se pagou nada, não se sabia nada e ainda foi reprovado pelo jurídico", disse Augusto Melo, em coletiva de oficialização da parceria com a Vai de Bet.

Para fechar o maior acordo de patrocínio do país, o atual presidente, portanto, depositou toda sua confiança no novo diretor jurídico Yun Ki Lee, que não utilizou o sistema de compliance instalado no clube, e refutou uma proposta da PixBet, que já estava presente na camisa corintiana, de R$ 75 milhões por ano.

Informações Gazeta Esportiva